Cultura Empreendedora – Princípios e fundamentos – V 0.1

Pessoas com perfil empreendedor surgem em todas as camadas da sociedade, espalhadas, indistintamente, por todo o globo. Tendo como característica comum a habilidade de identificação de problemas, seja por meio de observações ou experimentações, acompanhadas por soluções que possibilitem a sua monetização mediante as demandas latentes da sociedade. Essas pessoas permitem a estruturação de empreendimentos que fornecerão os produtos e serviços idealizados.

A Cultura Empreendedora é um grupo aberto a inovadores que envolve mais de 5 milhões de pessoas, no Brasil, América Latina, Estados Unidos, Europa, Ásia e África.

Cultura Empreendedora versus Empreendedorismo

Não são todas as pessoas que possuem perfil para empreender. O discurso preferido em todas as palestras e cadeiras sobre empreendedorismo nas instituições de ensino pregam que todos devam empreender.

No entanto, todos devem ter cultura empreendedora para compreender o seu papel no mundo dos negócios. A começar pela educação financeira. É poupando que se pode juntar recursos para se investir. Os investimentos são a base de apoio aos empreendimentos e empreendedores.

Como cultivar a cultura empreendedora?

A Cultura Empreendedora é formada por ambientes virtuais e físicos, em eventos que ocorrem mensalmente, em São Paulo. Esse hub consolida-se, primeiramente, pela capacidade de manter uma relação de ganha-ganha entre todos os atores do ecossistema, onde os ganhos não são necessariamente imediatos e podem estar acordados em função dos resultados alcançados, dividindo assim, proporcionalmente, os riscos assumidos pelas partes.

Tipos de Empreendedores

O auto-conhecimento é outro fator extremamente necessário para o entendimento pleno sobre a Cultura Empreendedora. Os empreendedores devem conhecer seus limites e suprí-los, juntamente, com profissionais competentes e que entendam a relação ganha-ganha citada anteriormente.

Adquirir a Cultura Empreendedora possibilita que o empreendedor desenvolva uma visão sistêmica, necessária para conhecer e compreender os vários sistemas interdependentes. Isso colabora para que o empreendimento funcione de forma sincronizada com o objetivo de constante otimização dos processos para maximização dos lucros.

Além disso, há a possibilidade de ampliação das operações para além das fronteiras, e, ter como consequência a geração de emprego e a transferência de renda a todos os colaboradores envolvidos nas atividades do empreendimento.

Nesse ponto vale ressaltar que não são todos os empreendedores que possuem as características necessárias para transformarem seu empreendimento em uma empresa propriamente dita, pois são muitos que por não se auto-conhecerem enganam-se em achar que conseguirão levar o empreendimento a um próximo nível.

Apresentamos abaixo três tipos de empreendedores, sendo eles:

1. Empreendedor sem conhecimento sobre seus limites

Esse está fadado a nunca transformar seu empreendimento em uma empresa. Seu objetivo é manter a empresa rodando para pagar suas contas pessoais.

Eles sabem da importância de separar as contas da empresa das pessoais (quando são questionados a respeitos), mas na prática não fazem nada para que isso aconteça. Por isso, muitos deles não conseguem sócios, pois quem quer dividir riscos com alguém que vive sacando o dinheiro da empresa para pagar as contas pessoais?

2. Empreendedor com conhecimento sobre seus limites

Esse conhece seus pontos fracos e se cerca de profissionais que possam ajudá-lo a transformar seu empreendimento em empresa, propiciando, assim, que a mesma seja levada a novos níveis de forma constante.

Vale lembrar que, na grande maioria das vezes, o empreendedor precisa de um empresário atuando em conjunto, pois o mesmo não gosta de se ver envolvido na profissionalização do negócio. Isso porque esse trabalho envolve a implementação de processos e gestão.

Muitos, nessa etapa, preferem continuar na empresa atuando no desenvolvimento de novos negócios ou saem da empresa abrindo mão do pró-labore, mas mantendo sua participação societária para recebimento anual da divisão dos lucros.

3. Empreendedor-empresário

Esse perfil além de conhecer seus limites e cercar-se dos melhores profissionais, possui características que o permite ficar a frente do negócio.

Isso porque ele possui sensibilidade comercial e tino empresarial. Sabe adaptar-se, perfeitamente, aos novos conhecimentos demandados pelas novas fases do empreendimento, que passam pelos desafios de planejamento e implementação de processos para uma gestão efetiva do negócio.

Um fator crítico a ser levantado diz respeito à valorização do empreendedorismo na sociedade contemporânea. São poucas as pessoas que possuem as caraterísticas necessárias para: tirar uma ideia do papel, transformar essa ideia em um empreendimento e levá-la a um nível empresarial.

Além dos conhecimentos específicos são necessárias qualidades ligadas ao perfil psicológico, como inteligência emocional e relacional.

Contexto atual

Hoje, as cadeiras de empreendedorismo são ministradas nas instituições de ensino sem levar os questionamentos acima em consideração, pois procuram transformar todos os alunos em empreendedores.

Isso leva a uma rivalidade nada saudável, pois os que não possuem as qualidades necessárias, não conseguem os mesmos resultados que os reais empreendedores, e, por não compreendem os motivos de seu fracasso no mundo empreendedor, culpam o capitalismo e os empreendedores, acreditando que o sistema capitalista somente favorece os empreendedores e, por isso, os dois fazem parte do mesmo saco, que deve ser desprezado e/ou combatido.

Por outro lado, os que possuem as qualidades necessárias subjulgam os que não possuem, muitas vezes dizendo que os mesmos possuem mentalidade de funcionário e que, se duvidar, deveriam prestar concurso público e viver às custas do governo.

Nesse ponto, é necessário afirmar que se todos dominassem os princípios básicos da Cultura Empreendedora saberiam que suas atividades podem estar em completa simbiose, onde cada um de acordo com seus limites são necessários para manter a economia funcional. Os empreendedores não chegam a lugar algum sozinhos. Eles estão no topo da pirâmide, sendo apoiados por 4 atores principais apresentados na ilustração abaixo e detalhados após a imagem:

Louis Jacques Filion, um dos maiores especialistas na área, define que o empreendedor é uma pessoa que “imagina, desenvolve e realiza visões”.

Atores do ecossistema

Concursados

São profissionais que buscam estabilidade e que possuem “garantia” de emprego e renda, em sua grande maioria profissionais com alto conhecimento técnico.

Como possuem certa estabilidade, podem, de forma calculada, arriscar parte de seus rendimentos investindo em novos negócios, pois, apensar da estabilidade, a única forma de terem um futuro próspero é investindo em negócios ou imóveis. Vale frisar que ao referenciar investimentos em negócios estão inclusos renda variável e sociedade em empresas iniciantes.

Profissionais

Essa categoria possui profissionais atuantes em empresas privadas, não buscam necessariamente estabilidade, pois ao recebem ofertas de novas oportunidades podem encarar o desafio se estiverem alinhados com os valores da empresa.

O salário desse profissional varia de acordo com sua experiência, mas todos sabemos que, por mais que estejam em cargos executivos, muitos não possuem participação societária no negócio, sendo assim a única forma desse profissional aposentar-se com uma certa qualidade de vida é tomando riscos no decorrer de sua carreira, investindo seja no mercado de ações ou financiando novos negócios.

No atual cenário, se o profissional não conseguir alavancar outros negócios em paralelo é quase certo que viverá de sua aposentadoria oriunda de suas contribuições ao governo, caso tenha contribuído com alguma previdência privada poderá ter uma aposentadoria um pouco mais tranquila.

Instituições de ensino (Professores & Pesquisadores)

Aqui estão os profissionais que, como sabemos, não recebem todo o reconhecimento devido, seja concursado ou atuante em instituição particular, não estão distantes de alguns pontos apresentados das realidades dos profissionais acima, mas é a única profissão que permite identificar e orientar novos talentos, pois estão na linha de frente da formação de novos profissionais.

Os professores podem, então, se tornar sócios dos talentos mais promissores, onde os trabalhos de conclusão de cursos podem se tornar novas startups, dando a oportunidade de um futuro mais próspero.

Família e amigos

Essa é a base de nossa figura, pois este grupo pode, além de ajudar com um baixo capital inicial, apoiar, psicologicamente, as pessoas que possuem um perfil empreendedor.

Hoje, o que se observa é a supressão da veia empreendedora em prol de uma vida “estável”, onde os empreendedores são rotulados pelos familiares e amigos como sonhadores e que devem cair na realidade procurando um emprego.

Como sabemos, empreender por si só já é um grande desafio, que se torna mais difícil se as pessoas próximas decidirem não apoiar. Por outro lado, sabemos que empreendedores são subversivos e que essa dura realidade pode moldar seu perfil e fazer com que o mesmo corra atrás de seus sonhos lutando contra tudo e todos.

Histórico

O início na PUC-SP

Em meados de 2011, por meio do ex-aluno de Ciência da Computação Wagner Marcelo M. Machado em conjunto com o Prof. doutor Daniel Couto Gatti, até então chefe de departamento da Computação da PUC-SP, começaram a organizar de forma embrionária os primeiros EJE’s – Encontros de Jovens Empreendedores nas instalações da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia da PUC-SP, localizado no campus Marquês.

Deram início ao debate constante sobre temas relacionados à Cultura Empreendedora e Empreendedorismo, trazendo, em todas as edições, vários convidados para participarem ativamente dos encontros, dando, ali, o início da releitura e análise de todos os conceitos até então difundidos pela internet relacionados à Cultura Empreendedora.

Choque de exatas e humanas

Em meados de 2012, após o oitavo encontro realizado no Campus de Ciências Exatas e Tecnologia da PUC-SP, juntou-se ao grupo o Prof. Mestre Fernando Corrêa Grisi, ex-aluno da FEA- PUC-SP, que até então tentava organizar ações em prol do empreendedorismo no Campus de Perdizes da PUC-SP, dominado pelos cursos de humanas.

Neste mesmo ano, o Prof. Dr. Sergio Bicudo Veras, também da PUC-SP, juntou-se ao grupo, colaborando com os debates em curso. Nesse ponto, já participavam da organização dos eventos alguns alunos que buscavam informações sobre os temas, tudo ainda muito incipiente.

Até aquele momento, ainda haviam grandes variações interpretativas sobre os principais fundamentos que definiam a Cultura Empreendedora, gerando assim grandes divergências entre todos os atores do ecossistema.

Em 2013, após a realização de estudos dos principais conceitos, até então disseminados pelo país, constatou-se a necessidade do registro de uma marca para garantir, dessa forma, uma convergência dos princípios que, hoje, definem de fato uma Cultura Empreendedora.

Em meados desse mesmo ano, a então aluna de Administração PUC-SP, Lenah Sakai, que na época trabalhava na empresa júnior da Faculdade de Economia, Administração, Ciências Contábeis e Atuariais da PUC-SP (FEA/PUC-SP), começou a frequentar os eventos e tornou-se uma das principais articuladoras junto aos alunos, organizando atividades relevantes e possibilitando a disseminação dos conceitos junto à sua faculdade. Com ela foi possível levar o EJE para os campi Ipiranga e Sorocaba da PUC-SP e fortalecer os EJE no campus Perdizes e Consolação da PUC-SP e na universidade Mackenzie. Ela já co-organizou mais de 100 EJEs de 2014 a 2018 e permanece, até os dias atuais, como uma das principais colaboradoras.

Outros alunos da FEA se juntaram na disseminação e organização dos eventos, dentre eles Herbert Jung Sin que colaborou no fortalecimento do EJE na PUC-SP nos campi Perdizes e Consolação, disseminando até hoje a cultura empreendedora.

Co-living

Em 2014, uma mansão na cidade de São Paulo foi sede de um programa piloto de co-living, que teve como objetivo o desenvolvimento de um micro-ambiente que proporcionasse a geração de conhecimentos e troca de experiência entre empreendedores de forma imersiva.

Nesse período a profissional Natali Garcia, UX Design, que já orbitava o ecossistema empreendedor, começou junto com seu marido e filho, a passarem algumas noites na mansão, criando assim o logo, site e toda a identidade da Cultura Empreendedora.

SEBRAE

Por meio de constantes convites do SEBRAE para a realização de palestras em vários estados brasileiros, houve a possibilidade de disseminação do atual conceito, outras tantas organizações acabaram por colaborar também com a difusão, vale lembrar que o contínuo apoio da PUC-SP, que até os dias atuais, concede sua infraestrutura para a realização dos EJE’s – Encontro de Jovens Empreendedores permite que o conceito e os materiais desenvolvidos possam ser, constantemente, atualizados.

O time central que possibilitou a realização dos EJE’s em todos os Campus da PUC-SP, além das várias universidades e organizações que receberam algumas das atividades, foi formado organicamente e consolidado por pessoas comprometidas com a disseminação dos conceitos elaborados durante vários anos.

Mackenzie

Em 2014, a convite do Prof. Dr. Max Nuck do Mackenzie, é iniciado a organização mensal dos EJE’s na universidade, impactando diretamente todos os alunos do FCI (Faculdade de Computação e Informática). Desde então, durante os anos letivos de 2015, 2016 e 2017 foram organizados diversos encontros até a data de seu falecimento. Após a perda de um dos professores, que sem sombra de dúvidas, mais se empenhou na universidade para a disseminação dos princípios da Cultura Empreendedora, não foram realizadas mais edições na universidade que lecionava.

Um cabeça branca polímata colaborando

Em 2018 o Prof. Dr. Lawrence Chung Koo da PUC-SP integra o time e começa a colaborar com as atividades da Cultura Empreendedora, trazendo consigo uma importante bagagem oriunda de sua atuação profissional/acadêmica.

Empreendedores convidados

Até o ano de 2018, foram contabilizados 136 EJE’s tendo como palestrantes grandes empreendedores nacionais, dentre eles vale destacar:

  • Ernesto Haberkorn | Fundador da TOTVS
  • Tallis Gomes | Fundador da Easy Taxi
  • Facundo Guerra | Fundador do Grupo Vegas
  • Juliana Della Nina | Fundadora da Bebê Store
  • Pedro Chiamulera | Fundador da Clear Sale
  • João Amoedo | Fundador do Partido Novo
  • Manuella Curti | Sócia-Diretora Geral do Grupo Europa
  • Thiago Ermano | Fundador da Comunicar Bem
  • Otávio Yamanaka | Fundador da Confirm8

Material educacional

Todo o conteúdo produzido, assim como o conceito estabelecido, está em constante atualização, pois são revisados junto a todo o ecossistema. Vale ressaltar que, apesar da Cultura Empreendedora ser uma marca registrada junto ao INPI, todo os materiais estão sob licença CC (Creative Commons), todos os interessados pelo tema são incentivados a colaborarem com o projeto podendo criar forks dos materiais com a condição de manterem os mesmos sob licença CC (CC-BY-SA).

Sendo assim, as contribuições mais relevantes poderão ser incorporadas nas novas versões dos materiais diádicos.

As revisões com o objetivo de realizar correções e melhorias editoriais são liberadas de forma constante, já a implementação de novos materiais e inclusão/exclusão de temas são realizados a cada dois anos.

Cultura Empreendedora na economia

De acordo com índices atuais fornecidos pelo Global Entrepreneurship Index, o número de empreendedores cresce a cada ano, fazendo-se necessário o desenvolvimento de materiais que possam auxiliar os empreendedores na gestão de seus empreendimentos.

Uma das políticas de descentralização de capital é dada pelo incentivo ao empreendedorismo, mas em uma sociedade onde não existem articulações para que os empreendedores evoluam, dando-se as mínimas condições necessárias para que isso ocorra, eles não chegaram muito longe. É necessário um ambiente propício para que os empreendimentos possam crescer, gerar emprego e impactar a economia local de forma direta.

É preciso uma abordagem de forma séria sobre Cultura Empreendedora e empreendedorismo pelas instituições de ensino, além de mudança de mindset, para que os empreendedores possam entender todas as etapas do desenvolvimento de um negócio sustentável e escalável, e as dinâmicas de investimento e desinvestimento.

Disseminação

Após o trabalho da Cultura Empreendedora junto à FREPEM (Frente Parlamentar de apoio ao empreendedorismo da Assembléia Legislativa de São Paulo) no grupo de trabalho relacionado a Educação Empreendedora, as escolas do Estado de São Paulo, agora, oferecem o tema Cultura Empreendedora em sua grade curricular.

Em paralelo, foi realizada uma aproximação da Brasil Junior, entidade esta responsável pelo desenvolvimento do Movimento de Empresa Juniores (MEJ) nas universidades.

Essa aproximação teve como resultado a inclusão do tema Cultura Empreendedora nos modelos dos estatutos utilizados pelas novas empresas juniores. Isso permitiu que os universitários pudessem ter contato com o tema logo no início de sua jornada acadêmica.

Instituições como o SEBRAE já contam com departamentos internos responsáveis pela disseminação da Cultura Empreendedora pelo país. Além disso, eventos como o Festival da Cultura Empreendedora já é realizado pelo segundo ano consecutivo, tendo cada vez mais grandes empresas apoiando a iniciativa.

As empresas abaixo foram as patrocinadoras da edição de 2018:

O evento foi realizado pela Época Negócios, Pequenas Empresas & Grandes Negócios e Valor

Mídias independentes como Business Watching e Green Business Post colaboram, desde que surgiram, com a divulgação do conceito mantendo sessões exclusivas que abordam o tema Cultura Empreendedora.

Agentes

São vários agentes responsáveis pela disseminação do conceito da Cultura Empreendedora no Brasil, dentre eles destacam-se algumas organizações:

Ligações Externas

Revisões e contribuições:

Lenah Sakai, Daniel Gatti e Thiago Ermano